https://g1.globo.com/rss/g1/economia/



Copom mantém taxa básica de juros da economia em 13,75% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia em 13,75% ao ano.
A decisão foi unânime. Com a decisão, o Copom interrompe o ciclo de cortes na taxa básica de juros iniciado em março deste ano. O Cômite entende que a decisão é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". "Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", diz a decisão. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Segundo o comunicado, o "aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução".
"O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação". Trajetória da Selic, a taxa básica de juros - novembro de 2026 Arte/g1 Com a Selic em 13,75% ao ano, o Brasil lidera um ranking de 40 países elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence.
Considerando os juros reais, que descontam a inflação estimada para os próximos 12 meses, a taxa brasileira é de 8,45% ao ano, seguida pela da Rússia, de 6,79% ao ano. Brasil amplia distância e segue com o maior juro real do mundo após Copom manter Selic; veja ranking Sobre o cenário externo, o Copom destacou que o ambiente tornou-se mais "adverso" devido ao prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente no preço do petróleo e seus derivados e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas.
Para o BC, esse conjunto de fatores demanda "cautela" dos países emergentes, como o Brasil, diante da volatilidade dos preços de ativos e commodities.
Já em relação ao cenário doméstico, o BC aponta que o conjunto de indicadores divulgados desde a última reunião do colegiado, em setembro, apontam para uma "moderação mais acentuada da atividade econômica". O mercado de trabalho, por sua vez, permanece resiliente ainda que com sinais de desaquecimento na margem.
"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta", destaca o Copom.
Piora do cenário Depois de confirmada a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, o mercado financeiro elevou consideravelmente suas projeções de inflação, reduziu as expectativas de crescimento da economia e passou a prever uma taxa de juros mais elevada do que antes.
As estimativas para o dólar também subiram. As expectativas de inflação para 2026 e 2027, medidas pelo Boletim Focus, subiram para 5,22% e 4,76%, respectivamente, segundo levantamento divulgado pelo Banco Central na terça-feira (3).
No comunicado desta quarta, o Copom afirmou que as projeções se distanciaram ainda mais da meta de inflação desde a última reunião. O comitê também elevou de 3,4% para 3,5% sua estimativa de inflação para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.
Para essa projeção, o BC considera a trajetória da Selic estimada pelos analistas consultados pelo Focus. Dessa forma, o BC vê o contexto atual, caracterizado por uma taxa Selic "substancialmente contracionista", em virtude das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, como um cenário que "desafiador" e que demanda "serenidade e cautela" na condução da política monetária.
Sem dar maiores pistas sobre o futuro, o Copom afirmou que "seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta". Para definir os juros, o BC atua com base no sistema de metas.
Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros.
Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Ao decidir a taxa básica de juros, o Copom considera principalmente a inflação esperada para os próximos anos, e não apenas a variação de preços observada nos últimos meses. Isso ocorre porque mudanças na Selic levam tempo para produzir efeitos sobre a economia.
Neste momento, por exemplo, a autoridade monetária já está mirando o segundo trimestre de 2028, período considerado o "horizonte relevante" para suas projeções. Embora leve em conta as estimativas do mercado para os próximos anos, que recentemente passaram a indicar câmbio mais depreciado e inflação mais alta, o BC também trabalha com suas próprias projeções para os indicadores econômicos. Banco Central do Brasil Jornal Nacional/ Reprodução