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Cartaz na cidade de Epagny, na Suíça, pede voto a favor da neutralidade suíça durante referendo no país em 27 de setembro de 2026.
Jean-Christophe Bott/Keystone via AP
Com a guerra da Ucrânia cada dia mais próxima da Europa, os suíços não querem ser tão neutros, conforme reza a tradição do país há mais de 200 anos.
A conclusão veio por meio de um referendo, no domingo (27), na qual os eleitores repudiaram veementemente, com 70% dos votos, uma iniciativa da extrema direita, que imporia rigorosos limites à neutralidade.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Se fosse aprovada, a Suíça teria sido proibida de cooperar com alianças militares e de impor sanções a países hostis — como já ocorre contra a Rússia desde 2022, após a invasão da Ucrânia.
Tanto o governo quanto o Parlamento rejeitaram a iniciativa: prevaleceu a ideia da flexibilidade da neutralidade, prevista desde 1848 na Constituição. “Este resultado não é um voto contra a neutralidade.
A Suíça foi neutra ontem, será neutra hoje e permanecerá neutra”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis.
Pesquisas mostram que 82% dos suíços apoiam a neutralidade, mas não a qualquer preço.
Os eleitores disseram não à proposta elaborada pelo bilionário e ex-ministro Christoph Blocher, com respaldo do grupo soberanista Pro Switzerland, e do Partido Popular Suíço (SVP), o único a endossar a iniciativa.
Este partido de extrema direita e anti-imigração, que tem a maior bancada no Parlamento, liderou em fevereiro o referendo para limitar a população suíça em 10 milhões de habitantes.
Foi igualmente rejeitado pelos eleitores.
Agora no g1 A Suíça está fora da União Europeia e da Otan, embora mantenha acordos de cooperação com os dois blocos.
Somente em 2002 aderiu às Nações Unidas, decisão tomada por meio de outro plebiscito.
O status da neutralidade preservou o país das guerras mundiais, mas os riscos atuais à segurança europeia reacenderam o debate sobre os limites dessa política. A adesão do país às sanções contra a Rússia, há quatro anos, irritou os populistas, que evocaram o enfraquecimento da neutralidade, e recolheram as assinaturas necessárias para a convocação do referendo deste domingo. A iniciativa contou com o apoio do Kremlin, mas foi rechaçada pelos 26 cantões suíços.
Apenas 30% respaldaram a noção da neutralidade absoluta, que restringiria a liberdade do governo para decidir o que ser neutro representa para o país no contexto atual.
Militares suíços operam drone durante exercícios em Elm, na Suíça, em maio de 2026. Stefan Wermuth/ Reuters