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Cessar-fogo suspende ataques por 2 semanas no Oriente Médio
O plano de dez pontos divulgado publicamente pelo Irã para um acordo de paz foi considerado "inaceitável" e foi descartado pelos EUA, disse nesta quarta-feira (8) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Segundo ela, após a recusa de Washington, uma nova lista "mais razoável e condensada" foi oferecida por Teerã, e é com base nela que ocorrerão as negociações entre as duas partes em Islamabad, mediadas pelo Paquistão.
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A segunda lista não foi divulgada e os diálogos se darão a portas fechadas, segundo Washington.
O Irã não comentou diretamente as falas de Leavitt, mas indicou que a primeira lista, divulgada na terça-feira (7), continuaria valendo na visão de Teerã.
Em um comunicado assinado pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, o país afirma que "como o presidente dos EUA declarou claramente em sua [rede social] Truth Social, a proposta de 10 pontos da República Islâmica do Irã é 'uma base fiável para se negociar'".
"Apesar disso, três cláusulas dessa proposta foram violadas até o momento", diz Ghalibaf.
Nenhuma das partes deixou claro se o plano de 10 pontos já era válido a partir do cessar-fogo ou se ele só entraria em vigor a partis da assinatura de um acordo de paz.
A agência Mehr, controlada pelo governo iraniano, afirmou que os 10 pontos apresentados por Teerã são:
Não agressão.
Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã.
Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã.
Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã.
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA.
Pagamento de indenização ao Irã.
Retirada das forças de combate dos EUA da região.
Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Segundo Ghalibaf, EUA e Israel descumpriram a não agressão em todas as frentes, incluindo o Líbano; violaram o espaço aéreo iraniano com um drone nesta quarta; e negaram o direito do Irã de enriquecer urânio.
Na noite desta terça (7), a Associated Press já havia informado sobre as inconsistências nas versões do acordo.
Segundo a agência, o plano divulgado pelo Irã, em língua persa, continha a frase "aceitação do enriquecimento" para seu programa nuclear, algo que estava ausente nas versões em inglês compartilhadas por diplomatas iranianos com jornalistas. Em entrevista à agência France Press, uma autoridade de Casa Branca também havia negado que a lista divulgada na imprensa era a mesma que serviria de base para as negociações em Islamabad. "O documento ao qual a imprensa se refere não é o plano em que estamos trabalhando.
Não vamos negociar publicamente", disse a fonte, sob condição de anonimato.
LEIA MAIS VÍDEO mostra onda de ataques de Israel ao Líbano; 254 morreram e mais de 800 ficaram feridos O presidente dos EUA, Donald Trump havia dito anteriormente que encerrar totalmente o programa nuclear do Irã era um ponto-chave da guerra. Nesta quarta-feira, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz e ameaçou romper o cessar-fogo anunciado na terça (7), caso o Exército de Israel não interrompa os ataques ao Líbano, segundo agências estatais iranianas. Teerã afirma que a trégua inclui o território libanês, o que é negado por Israel. Bandeiras iranianas são vistas sobre os escombros de prédio da Universidade de Tecnologia Sarif, em Teerã, capital do Irã, alvo de ataque no dia 7 de abril de 2026 Majid Asgaripour/Wana/Reuters Na terça-feira, Trump chegou a anunciar a trégua por meio de uma publicação na Truth Social.
"Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas.
Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!", afirmou. Na publicação, o republicano menciona o plano de dez etapas.
"Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que é uma base viável sobre a qual negociar", explicou em sua mensagem. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado.