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Caso Master: Galípolo diz que não há auditoria ou sindicância que aponte culpa de Campos Neto
08/04/2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que não há auditoria ou sindicância da autoridade monetária que aponte alguma culpa de Roberto Campos Neto, ex-presidente do órgão, no tratamento do caso do Banco Master.
Galípolo deu a declaração durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, onde foi questionado sobre a atuação de Campos Neto no BC em relação ao banco de Daniel Vorcaro.
Em discursos e entrevistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que o escândalo do Master tem origem na gestão de Jair Bolsonaro (PL), que indicou Roberto Campos Neto ao Banco Central.
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O presidente chegou a dizer que o Master é o "ovo da serpente" de Bolsonaro e do ex-presidente do BC.
Campos Neto presidiu o BC de 2019 a 2024.
Os dois últimos anos do economista à frente da autoridade monetária, que é autônoma em relação ao governo, ocorreram na gestão Lula, cujo terceiro mandato iniciou em 2023.
"Aquele passivo vai consumindo o caixa do banco até que, no dia da liquidação, o banco tinha em caixa um valor de 10% do que ele tinha para pagar naquele dia, o que gera a liquidação", relatou Galípolo.
O atual presidente do BC afirmou que a autoridade monetária decidiu liquidar o Master, em novembro passado, após o próprio banco reconhecer que estava em dificuldades e o passivo ter consumido a maior parte do caixa da instituição, afetando sua liquidez e sua capacidade de honrar os compromissos.
Além de afirmar que não há procedimentos que apontem culpa de Campos Neto, Gabriel Galípolo evitou criticar a conduta do antecessor no Banco Central.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) perguntou a Galípolo se o Master não deveria ter sido liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central já na gestão Campos Neto.
O atual presidente do BC, que determinou a liquidação do Master no fim do ano passado, afirmou que ele próprio é alvo de questionamentos sobre uma possível precipitação de sua decisão.
"Eu cheguei em janeiro de 2025.
E, ainda assim, a gente teve que cumprir todos os ritos justamente para que a gente estivesse bem calçado.
Ainda em meados de 2025 existia, na opinião pública e em debate, que a rejeição da compra do BRB não deveria ter ocorrido.
E, ainda hoje, estou respondendo em órgãos de controle se a liquidação não foi feita de maneira precipitada", afirmou Galípolo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante participação na CPI do Crime Organizado
Saulo Cruz/Agência Senado
Servidores afastados do BC
Dois servidores do Banco Central foram afastados e estão sob investigação por suposto envolvimento no Caso Master.
Segundo as investigações, os servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana supostamente:
davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC que envolviam o Master;
revisavam e sugeriam alterações em documentos que o Master mandava ao Banco Central;
vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a eventuais medidas adotadas pelo BC;
usavam sua influência interna para favorecer o Master em análises de processos e para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pela instituição;
recebiam vantagens indevidas (propina) em troca dos serviços prestados, e o dinheiro era pago por terceiros e por meio de contratos simulados.