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Lula a Moraes: Não deixe que Vorcaro jogue fora sua biografia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relatou nesta quarta-feira (8) uma conversa que teve com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das revelações do caso Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em entrevista ao ICL, o presidente da República disse ter aconselhado o ministro do STF a se declarar impedido em um eventual julgamento, pela Suprema Corte, de ações relacionadas às fraudes financeiras bilionárias cometidas pelo Master – instituição que foi liquidada pelo Banco Central no fim do ano passado.
Segundo Lula, na conversa com Moraes, o petista citou contrato do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, e disse ao magistrado que ele não deveria permitir que o caso de Daniel Vorcaro jogasse fora a sua "biografia".
"Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele.
É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro.
Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia", declarou Lula.
"Primeiro porque você não estava advogando no seu escritório há quase 15 anos, porque foi secretário da Justiça, foi ministro do Michel Temer, estava fora.
Mas a sua mulher estava advogando, diga que: 'A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença para mim, eu só prometo que aqui na Suprema Corte, em caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa'.
Alguma coisa que passe para sociedade uma firmeza, que ele [Moraes] tem", completou o petista. Na entrevista, Lula também afirmou que o caso Master prejudica a imagem do STF.
O presidente Lula durante entrevista ao ICL Ricardo Stuckert/Presidência da República Ao comentar possível acordo de delação de Vorcaro, Lula não criticou as tratativas, mas disse que "é preciso ter cuidado" com a colaboração para que não seja uma "delação comprada". "Tem que prestar depoimento com testemunha.
A delação...
Tem gente que fala que o Vorcaro não pode fazer delação...
Vorcaro pode fazer delação.
Delação é sempre delicada.
Tem que ter mais gente acompanhando, porque pode ser uma delação comprada.
É preciso ter cuidado com delação" disse. Eleição 2026 Na mesma entrevista, Lula abordou outros temas relacionados às ações de seu governo e comentou sobre a possibilidade de disputar a reeleição neste ano.
Segundo ele, adversários políticos buscam “consolidar uma ultradireita” no país e teriam interesse em “vender o Brasil”.
O petista citou as reservas de terras raras existentes no país. "Essa gente vai vender o Brasil e a gente não pode permitir, levaram nosso ouro, prata, o que querem mais? Aqueles brasileiros com complexo de vira lata, que promete coisas para o Trump, vamos deixar? Não, e isso vai ser parte do processo da luta política", disse. Lula também disse que, caso seja derrotado na eleição, passará a faixa para o sucessor em nome da "civilidade".
Em 2023, Bolsonaro se recusou a participar da posse e passar a faixa para Lula. "Pode ser eleito o meu maior inimigo, se for eleito democraticamente, estarei na rampa para colocar a faixa nele, temos que ter civilização, o mundo está muito intolerante", disse. Fundo público e orçamento secreto Em tom eleitoral, Lula também fez críticas ao orçamento secreto e ao fundo eleitoral, abordando a dificuldade de renovar a classe política. Lula afirmou que, hoje, 60% do orçamento está com o congresso nacional e é preciso "acabar com essa promiscuidade" de orçamento secreto. "Não quero estado subordinado a orçamento secreto, não é correto, temos que executar um orçamento porque a sociedade nos deu um mandato pra governar" afirmou.
Já sobre o fundo eleitoral, Lula declarou que hoje uma pessoa novata não consegue se eleger por falta de dinheiro, e comparou os presidentes dos partidos aos presidentes de bancos.
"Os partidos não podem continuar sendo assim, o fundo eleitoral, isso levou a promiscuidade nesse país, eu fui defensor do fundo público, mas hoje eu acho que isso levou os partidos a promiscuidade, transformou os presidentes de partidos como se fosse de banco.
Hoje temos dificuldade de eleger gente nova, uma eleição hoje está muita cara." declarou Bets Lula entrou em outros temas durante a entrevista, como, por exemplo, a relação com Donald Trump e a necessidade de fortalecer a segurança pública no Brasil.
Ao ser questionado sobre jogos de azar e o endividamento da população, Lula declarou que, se depender dele, o governo "fecha as bets". "Não podemos continuar com jogatina desenfreada no país.
Todo mundo quer ganhar dinheiro a mais.
Mas o vício em jogo tem que ser tratado como problema de saúde, gente que perde casa, carro, e até se mata", afirmou.