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Campinas pode ter sofrer com impactos do El Niño
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
O fenômeno climático El Niño, que está em processo de formação e tem alta probabilidade de se consolidar no segundo semestre de 2026, poderá trazer risco à saúde e contas mais caras na região de Campinas (SP).
O evento é conhecido por favorecer ondas de calor. A projeção foi feita nesta quarta-feira (17) pela meteorologista e pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), órgão vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ela, a região de Campinas está localizada em uma zona de "transição" do El Niño.
Acima dela, a partir do estado de Minas Gerais, a tendência é que o fenômeno cause tempo seco e calor extremo. Por sua vez, abaixo, principalmente no sul do Brasil, a consequência poderá ser chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes. "A gente [de Campinas] está em um limite.
De forma geral, inclusive para os próximos meses, a gente tem condição de chuva de normal a ligeiramente acima da média, assim como as temperaturas", disse Ávila. 🌊 Entenda: O El Niño é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura da superfície do Oceano Pacífico, na região próxima à Linha do Equador, o que deixa a atmosfera mais aquecida e diminui a frequência e a intensidade das ondas de frio. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Também de acordo com a meteorologista, o fenômeno ainda não se formou completamente, embora a probabilidade seja de 90%.
Caso consolide, o impacto deverá ser maior entre o fim da primavera e o início do verão, mas não é possível definir a intensidade. "O que a gente tem no nosso verão aqui são chuvas que amenizam o calor.
Se a gente tem mais dias consecutivos sem chuvas, sem nebulosidade, o que acontece? Os picos de temperaturas, que acontecem na primavera.
Por exemplo, de 37°C ou 38°C.
Isso é um valor extremo", explicou. Impactos O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia O forte calor favorecido pelo El Niño pode afetar a população de várias formas.
Alguns desses impactos são indiretos, como, por exemplo, o aumento da conta de energia elétrica.
Confira abaixo alguns dos impactos. 🌱 Agricultura: segundo Ávila, é cientificamente comprovado que em anos de El Niño há um aumento nos preços de frutas e hortaliças por conta das fortes chuvas ou do calor extremo, que colocam em risco a produção agrícola; ⚡ Energia elétrica: há um maior consumo tanto de água, que é fundamental para a produção de energia no país, quanto da própria energia — ar-condicionado ou mais banhos por dia, por exemplo; 🔥 Queimadas: com o tempo seco, aumenta a possibilidade de desenvolvimento de queimadas naturais.
Quando há alguma ação humana, o incêndio fica mais fácil de se alastrar e causar prejuízos ambientais; 🏥 Saúde: a quantidade de atendimentos por desidratação ou por outros efeitos do calor extremo pode aumentar, principalmente para idosos e pessoas com comorbidades.
As recomendações às pessoas e aos animais de estimação são evitar exposição direta e prolongada à radiação solar, bem como manter hidratação. Comércio Comércio de rua em Campinas (SP) Paulo Gonçalves/EPTV O fenômeno também pode trazer consequências às vendas do comércio de rua.
De acordo com o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Americana (Acia), Evandro Barizon, o consumidor acaba preferindo ambientes climatizados, como os de shoppings. "A gente percebe que quando está muito quente, o sol está muito forte, o consumidor não vai para a loja de rua ou reduz muito, principalmente aqueles que fazem as compras a pé.
Ele fica incomodado com o suor, com o calor", explicou. Barizon ainda lembrou que o calor faz com que as pessoas busquem destinos turísticos para sair de casa, como resorts ou praias.
Várias cidades da região não possuem opções desse tipo de lazer, o que também traz impactos ao comércio local. "O dinheiro muda de mão, né? As lojas que vendem artigos de praia, piscina ou roupas de banho acabam tendo um ganho, mas há uma debandada muito grande para esses lugares turísticos", apontou. Por fim, o vice-presidente afirmou que os proprietários de comércios e indústrias precisam ter cuidado com a climatização de seus estabelecimentos, visando não só os clientes, mas também as condições para os funcionários. "Hoje, o trabalhador está escolhendo onde quer trabalhar.
Entre um lugar com condições boas e outro com condições hostis, ele vai preferir o que tiver as melhores condições.
É investimento em bem-estar", afirmou. Enfrentamento Campinas anuncia ações de climatização para enfrentar efeitos do El Niño No caso da cidade de Campinas, a Prefeitura apresentou nesta quarta um pacote de ações para lidar com extremos climáticos.
Algumas das medidas já tinham sido anunciadas anteriormente, mas foram incluídas no pacote.
Entre as principais iniciativas estão: Integração das equipes da Defesa Civil, Saúde, Clima, Serviços Públicos e Assistência Social para resposta a eventos extremos; Instalação de 21 estações meteorológicas nos 18 setores de risco da cidade; Climatização do Hospital Ouro Verde.
Investimento estimado em R$ 3,5 milhões.
Previsto para novembro de 2026; Climatização de 42 escolas municipais a partir de agosto.
Investimento estimado em R$ 4,9 milhões; Plantio de árvores em escolas municipais, com prioridade para áreas mais vulneráveis às ondas de calor; Criação de uma rede de refúgios climáticos.
Os espaços contarão com sombra, áreas climatizadas, bebedouros e estrutura de acolhimento.
Praças, bibliotecas e outros equipamentos públicos poderão integrar a rede; Instalação de 40 bebedouros públicos para hidratação e bem-estar em pontos diversos da cidade; Implantação de três parques lineares na região central da cidade a partir do início de 2027, no valor total de R$ 23 milhões.
As intervenções estão associadas às obras de macrodrenagem e à redução dos riscos de alagamentos. Ávila ressaltou a importância das climatizações em hospitais públicos e escolas, inclusive para conforto das pessoas.
Além disso, ela destacou que o pacote é um exemplo do quanto as mudanças climáticas têm sido debatidas. "A gente vem em uma preparação contínua.
Quer dizer, essa situação vai nos colocando à prova de que realmente as ações são muito importantes porque os eventos extremos estão acontecendo com maior frequência e maior intensidade", ponderou. El Niño forte Alguns modelos europeus já projetam um aquecimento muito intenso do Oceano Pacífico, semelhante ao observado em grandes eventos históricos. No boletim divulgado no último dia 11 pela NOAA, agência climática dos Estados Unidos, no último dia 11, a agência indicou 63% de probabilidade de que o El Niño se torne muito forte, com potencial para entrar no grupo dos maiores eventos registrados desde 1950. O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global. Impactos do El Niño no Brasil. Arte/g1 LEIA TAMBÉM: Chegada do El Niño é confirmada pela agência climática dos EUA; dúvida agora é se fenômeno terá força recorde Quando foi o último 'super' El Niño? Entenda por que o intervalo entre os eventos extremos vem encurtando Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño El Niño 2026: o que é, por que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas