https://g1.globo.com/rss/g1/sp/presidente-prudente-e-regiao



Filhote de beija-flor resgatado por veterinário dá primeiros voos
O filhote de beija-flor resgatado há mais de dois meses em Presidente Prudente (SP) continua evoluindo a partir dos cuidados do veterinário Luís Felipe Zulim.
Ao g1, o especialista descreve as novidades do comportamento apresentado pela ave, que já está mais independente.
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp “Tem um pouquinho mais de penas coloridas, está mais agitadinho, espertinho, presta atenção em tudo e também está dando uns voos baixos", detalha.
Segundo o veterinário, a ave fica no banheiro da casa dele quando não está sob supervisão, para não correr o risco de ser atacada por outros pets do imóvel. "Eu chego lá e ele está cada hora num lugar, parece que tentou voar.
Ele sempre tentou um pouquinho, mas agora está mais evidente e dá pra ver que consegue voos baixos.” Apesar da evolução, o veterinário afirma que ainda não dá para estimar quando a ave poderá ser solta na natureza, pois alguns cuidados ainda permanecem necessários: “Pra comer, ele é extremamente dependente ainda, não tantas vezes ao dia, mas ele me vê e abre a boca pra eu dar comida.” “Quando estou longe, ele já come e bebe na vasilha, mas ainda é dependente e, para ser livre, precisa voar bem e estar totalmente empenado”, completa. Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave em Presidente Prudente (SP) Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Enquanto a ave segue com os cuidados do veterinário, os seguidores de Luís Felipe acompanham, pelas redes sociais, a rotina entre homem e ave.
Em um dos vídeos que encantou o público, a ave aparece numa banheira de brinquedo.
O veterinário brinca na legenda: “Mais um dia super normal por aqui, fazendo skincare no baby beija-flor.” Assista ao vídeo no início da reportagem. Atualmente, os cuidados com a ave incluem a alimentação, treinos de independência no bebedouro, o uso de poleiros para fortalecer as patas e períodos de “banho de sol” ao longo do dia, segundo o veterinário. Amanda Abonizio, médica-veterinária de animais silvestres, também acompanha o desenvolvimento do Zulinho e reforça a importância dos banhos que o animal tem recebido. “Eu institui alguns banhinhos para a gente terminar de tirar toda a sujeira do início das papinhas, porque o beija-flor é um animal extremamente limpo.
Então, a gente fez alguns banhos com esse objetivo, porque os beija-flores também tomam banho”, descreve. Outro detalhe que pode afetar o desenvolvimento do filhote é em relação às penas. “É muito provável que ele só volte a empinar na próxima estação, na primavera, porque ele só vai realmente crescer essas penas agora na próxima muda de penas", explica Amanda. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: funcionários fazem oração antes de retirar imagem de Nossa Senhora de trevo em obras da SP-294 em Adamantina Doador e receptor de medula óssea se tornam amigos após transplante: 'Gêmeo genético' Falta de identificação de infratores trava aplicação de lei que recompensa denúncias de lixo irregular, apesar de 170 queixas Características da espécie A veterináriadescreve algumas características do beija-flor, que pertence à família Trochilidae e está entre as menores aves do mundo, com metabolismo extremamente acelerado. “Esses animais precisam se alimentar várias vezes ao longo do dia para suprir sua demanda energética.
Uma curiosidade é que eles são capazes de permanecer pairados no ar durante o voo e até conseguem voar para trás”, revela. Além disso, algumas espécies vivem em média de cinco a oito anos, com temperatura bastante elevada, entre 39 e 45 graus.
“Eles consomem néctar e também conseguem capturar pequenos insetos.
Então, eles precisam dessa quantidade de proteínas, gorduras, minerais.” A frequência cardíaca da ave pode chegar a 1.200 batimentos por minuto em pleno voo, e o coração representa 5% do peso corporal.
“Um coração grande para uma ave tão pequena”, destaca a especialista. “O beija-flor exerce um papel ecológico importantíssimo como polinizador de diversas espécies de vegetais, flores, enfim.
Isso contribui diretamente, por exemplo, para a reprodução das plantas nativas”, continua Amanda. Cuidados eram a cada 30 minutos Quando o filhote foi resgatado, precisava ser alimentado a cada 20 ou 30 minutos, o que fazia com que acompanhasse o veterinário durante praticamente todo o tempo e em diferentes lugares. Uma das preocupações do veterinário está relacionada à alimentação da ave.
Segundo uma amiga que trabalha com aves, a dieta diária dos beija-flores inclui uma grande quantidade de pequenos insetos, como mosquitos, o que torna a manutenção da espécie em “cativeiro” um desafio. "Acreditamos que a falta do alimento mais específico, aliada às temperaturas frias, retardou o desenvolvimento, mas seguimos na luta, pois ele se apresenta forte, interagindo, pedindo alimento e batendo as asas", explica Zulim. Além disso, o animal apresentava deformidade nas patas, mas isso não é algo que possa impedir que a ave voe, pois, segundo o veterinário, o mais importante são as asas. "Percebi que o aquecedor ajudou muito no desenvolvimento dele nas últimas semanas.
É devagar, mas já é possível ver peninhas novas e ele mais ‘reforçadinho’", completa. Filhote foi resgatado no dia 12 de maio; inicialmente, o veterinário pensou que o filhote estava morto Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Recuperação e meta de soltura Zulim destaca que o "filho de asas" está em recuperação, mas o processo se torna mais lento devido à falta da presença da mãe.
"O frio está judiando um pouco, mas a alimentação frequente e o aquecimento estão ajudando muito.
Agora ele começou a se mexer mais e bater a asa, interagir mais, pedindo comida, e as penas começaram a crescer, inclusive as coloridas (verdes)", conta. Desde o início, o objetivo é realizar a soltura da ave em seu habitat natural assim que ela estiver preparada para viver de forma independente na natureza: "Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação.
Ficará marcado para sempre." Apesar do esforço que tem empregado nos cuidados com o beija-flor, o profissional reforça que não é adequado resgatar animais silvestres sem conhecimento e manejo adequados. "Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez.
Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais da área de forma rápida para oferecer o cuidado necessário", afirma. A orientação é acionar profissionais da área, como a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico-veterinário de animais silvestres. Aquecimento e alimentação adequados são essenciais no cuidado com a ave Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal O que fazer ao encontrar um filhote? Em entrevista ao g1, a médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude ao ver um filhote de animal silvestre é observar a situação com calma e garantir que o bicho está realmente abandonado. "Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado.
Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave.
Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir", alerta. A profissional acrescenta que, caso o animal esteja ferido, debilitado ou em situação de risco, ele deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação de um médico-veterinário ou órgão ambiental. "A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção.
Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão", afirma. "Nessas situações, o ideal é procurar um médico-veterinário capacitado para atendimento de animais silvestres, além dos órgãos ambientais responsáveis pela fauna.
Quanto mais rápido o encaminhamento adequado, maiores são as chances de recuperação e retorno à natureza", conclui. Filhote de beija-flor resgatado por veterinário dá primeiros voos Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM