https://g1.globo.com/rss/g1/politica/blog



Alcolumbre faz acenos ao governo com PEC da Segurança e mira reeleição no Senado
A aprovação da PEC da Segurança Pública foi uma vitória do governo Lula (PT), sem dúvida.
Mas também foi uma vitória de Davi Alcolumbre (União-AP).
Foi um combo de vitórias, e faz parte de uma agenda que foi combinada. Desde a campanha eleitoral, temos falado aqui que o governo tinha pautas que avaliava que só conseguiria aprovar com esse Senado que está aí.
Isso porque o Senado que saiu das urnas e toma posse em 2027 vai oferecer mais resistência às propostas do governo. Sabendo disso, o governo colocou essa agenda para andar.
Primeiro, o fim da escala 6 por 1, que passou e foi muito usado durante a eleição.
Depois, a PEC da Segurança Pública. A segurança já era uma promessa de campanha.
A discussão sobre dividir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre as polícias e a integração vem de muito antes, ainda da transição de 2022. Alcolumbre, quando recompôs a relação com o governo — ele estava rompido com Lula, é bom lembrar —, colocou-se à disposição para fazer essas pautas andarem.
Mas há um motivo também. Acabou a campanha para o presidente Lula e começou a campanha de Davi Alcolumbre para se manter no comando do Senado. Os movimentos de Alcolumbre são acenos ao governo porque ele quer, em troca, o apoio para sua reeleição. O Senado que saiu das urnas está mais à direita.
Há nomes na base da direita e do bolsonarismo, como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), na disputa.
E Alcolumbre quer ser reeleito. Com a vitória de Lula para a Presidência da República, ele avalia que o caminho ficará mais fácil, segundo interlocutores com quem tenho conversado. Então, ele fez esses acenos e espera colher os votos no começo do ano que vem, quando haverá a eleição para a presidência da Casa.
Só que também precisa fazer acenos ao bolsonarismo. É por isso que falo em combo.
Sabe aquela coisa de tentar agradar todo mundo? Vamos ver como ele vai sair dessa. É sempre bom registrar quando o Congresso e os políticos tratam de temas de interesse da população, do dia a dia da sociedade.
Segurança pública e violência urbana são preocupações presentes na vida das pessoas. Mas o pano de fundo desses movimentos também é eleitoral.
Agora, a disputa é pela presidência do Senado.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) Ricardo Stuckert / PR