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A campanha de Eduardo Paes (PSD), candidato derrotado na eleição para o governo do Rio de Janeiro, acionou a Justiça Eleitoral para pedir a investigação de supostas irregularidades atribuídas ao governador eleito, Douglas Ruas (PL), e à vice-governadora eleita, Fernanda Louback.
Na ação, a campanha de Paes pede também a cassação da chapa eleita, a anulação dos votos recebidos e a inelegibilidade por oito anos dos responsáveis pelas supostas irregularidades.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e cita suspeitas de compra de votos e coação de eleitores.
A campanha do ex-prefeito do Rio de Janeiro afirma que houve uma "estratégia coordenada de desinformação e manipulação do eleitorado". O documento apresenta denúncias, registros policiais, reportagens e publicações em redes sociais como indícios para sustentar as alegações.
As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação das irregularidades. Segundo a ação, há quatro eixos principais de suspeita: distribuição de propaganda considerada enganosa, circulação de santinhos apócrifos, registro de votos nulos com o número 13 e suposta compra ou coação de eleitores. Agora no g1 Panfletos são alvo da ação Segundo a petição, a campanha de Ruas contratou a produção de 100 mil panfletos intitulados "DOUGLAS RUAS - EVANGÉLICO", pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O material atribuía a Eduardo Paes posições favoráveis ao aborto, à liberação de drogas e a banheiros unissex, entre outros temas.
Os advogados de Paes afirmam que as informações eram falsas e buscavam influenciar o eleitorado religioso. A ação também questiona o panfleto "RIO ESCOLHE", que associava Paes a Lula (PT) e destacava o número 13.
Segundo a acusação, a propaganda poderia induzir eleitores a digitar 13 para governador, embora o número de Paes fosse 55. A petição cita que 204.309 votos para governador foram anulados com o número 13, como mostrou reportagem do g1.
Ruas foi eleito no primeiro turno com 4.271.199 votos, ou 50,88% dos válidos, contra 3.706.984 de Paes, ou 44,16%. Os autores da ação argumentam que, se os votos anulados pelo número errado tivessem sido destinados a Paes, Ruas teria ficado abaixo de 50% dos válidos e a eleição iria ao segundo turno.
Santinhos e suspeitas de compra de votos A ação também relata a circulação de santinhos que associavam a foto e o nome de Paes ao número 22, usado por Ruas.
Segundo a petição, parte do material não apresentava identificação do contratante ou da gráfica. Entre os episódios citados para sustentar as suspeitas de compra de votos está a apreensão, em Niterói, de R$ 600 mil em espécie e planilhas com Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL).
A petição pede que a origem e o destino do dinheiro sejam investigados.
A apreensão, por si só, não comprova compra de votos. A ação cita ainda a apreensão de materiais de campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em dinheiro dentro de um veículo no dia da votação. Também foram incluídas denúncias sobre suposta compra e coação de eleitores em diferentes regiões do estado.
Publicações no X, Instagram, Threads, Facebook e Reddit relatam pagamentos de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos. Para aprofundar a investigação, os advogados pedem que as plataformas forneçam dados de mais de 60 perfis citados no processo, para que os responsáveis pelas publicações possam ser identificados e eventualmente ouvidos como testemunhas. A ação também solicita o compartilhamento de procedimentos e investigações da Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Eleitoral e órgãos de fiscalização eleitoral relacionados aos episódios mencionados na petição. GloboPop: veja os vídeos do palco da Julia Dualibi Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) Stephanie Rodrigues/g1 e Alex Ramos/Alerj